Algas
Algas Medicinais
De certo modo, por assim dizer, as algas são os vegetais da água. Tradicionalmente, são seres vivos pertencentes ao reino Protista, que são aqueles que possuem células nucleadas, ou seja, que são eucariontes, porém, que não formam tecidos complexos, exceto as algas azuis, que classicamente foram classificadas como pertencentes ao reino Monera das bactérias, mais especificamente, das cianobactérias. Modernamente, as algas estão distribuídas nos reinos Plantae (Chlorella e Chondrus), Chromista (Fucus vesiculosus) e Monera ou domínio Bactéria (Spirulina). Possuem células eucariontes, exceto as cianobactérias que são procariontes. Em geral realizam fotossíntese e, portanto, são autotróficas.
As algas medicinais se dividem em três filos ou ramos, quais sejam, Chlorophyta ou clorófita, que são chamadas também de clorofíceas (filo das algas verdes), Phaeophyta ou feófita, que são denominadas de feofíceas (filo das algas pardas ou castanhas) e Rodophyta ou rodófita, que são designadas de rodofíceas (ramo das algas vermelhas), sendo que o filo ou ramo Cyanophyta ou cianófita, que são intituladas de cianofíceas (ramo das algas azuis) pertence ao Reino Monera (das bactérias) e não ao Reino Protista.
De um modo geral, tanto as algas protistas quanto as azuis realizam fotossíntese e, portanto, são autotróficas.
OBSERVAÇÃO 1: As informações desta página não se prestam às receitas ou prescrições médicas ou nutricionais e não devem ser utilizadas com esse objetivo.
OBSERVAÇÃO 2: Algumas das alegações referidas às substâncias descritas nesta relação não apresentam reconhecimento científico oficial e todo esse conteúdo deve ser visto com cautela.
1) Filo ou Ramo das Clorófitas (Algas Verdes):
A principal representante medicinal é a Chlorella.
As indicações clínicas da Chlorella incluem: Adjuvante no tratamento de dislipidemia, hipertensão, esteatose hepática e melhora da imunidade.
Posologia de 100 a 1.000 mg ao dia (conforme orientação médica).
A Chlorella é uma alga verde unicelular de água doce rica em proteína completa com tirosina e triptofano. Contém ômega-3 ALA, pró-vitamina A na forma de beta-caroteno, vitamina B2 ou riboflavina e vitamina K1, além de ferro, fósforo e clorofila. A clorofila tem magnésio e ação antioxidante.
Esta alga é importante como fonte de vitamina B2, ferro, vitamina K1 e clorofila. Não é fonte relevante de vitamina B12, magnésio, fibras ou ômega-3 EPA/DHA nas doses de 3g/dia.
2) Filo ou Ramo das Feófitas (Algas Pardas):
A bodelha ou fava-do-mar é a principal representante medicinal das algas pardas, tratando-se do Fucus vesiculosus, uma alga costeira de coloração acastanhada, mas que não participa das florestas de kelp. A classificação é Chromista porque o cloroplasto das algas pardas tem origem diferente das plantas.
As indicações clínicas do Fucus abrangem: Adjuvante na suplementação de iodo em casos de carência, controle de peso corporal, função intestinal e proteção gástrica. Ação anticoagulante e imunoestimulante da fucoidana.
Posologia de 100 a 1.000 mg ao dia (conforme orientação médica).
O Fucus vesiculosus, ou simplesmente Fucus, é uma macroalga marinha rica em iodo, que incrementa o metabolismo da glicose e dos ácidos graxos, estando indicado no tratamento da obesidade, na promoção do sistema imune e das funções tireoidianas, bem como da saúde em geral, por ser um agente antienvelhecimento devido às suas propriedades antioxidantes, embora não seja uma importante fonte de ômega-3.
Fucus são algas que, além de iodo, contém também diversos outros minerais, tais como cálcio, magnésio, potássio, ferro, sódio, selênio e zinco. Ademais, apresenta em sua composição, vitaminas A, C e E, sendo que a quantidade de vitamina D2 é muito pequena.
3) Filo ou Ramo das Rodófitas (Algas Vermelhas):
Chondrus crispus, que é uma macroalga vermelha, conhecida também como musgo-da-irlanda ou musgo irlandês, ou simplesmente musgo do mar, é a principal representante medicinal deste ramo das algas vermelhas.
As indicações clínicas do musgo do mar irlandês englobam: Adjuvante no tratamento de irritações da mucosa orofaríngea e gastrointestinal, pela ação demulcente. Além de ser fonte de fibra solúvel com ação prebiótica. Sua utilização tradicional é como fortificante nutricional.
Posologia de 100 a 1.000 mg ao dia.
Esta alga, o musgo-do-mar irlandês, é uma alga vermelha rica em carragenana, polissacarídeo mucilaginoso que forma gel e tem ação prebiótica (favorece o desenvolvimento de bactérias benéficas ou probióticas no intestino), também tem ação demulcente (gel protetor da mucosa digestiva). Contém ferro, pró-vitamina A na forma de beta-caroteno, magnésio e iodo em quantidade alta, 4-80mcg/100g.
Possui arginina e nitrato que podem favorecer produção de óxido nítrico com efeito anti-hipertensivo, no entanto, tem sódio elevado, 200-500mg em 10g, podendo aumentar a pressão arterial.
Tem ação anticoagulante leve pela carragenana: usar com cautela junto a varfarina e AAS.
Contém traços de selênio, proteína, vitaminas C, E e zinco. O teor de iodo é alto, porém geralmente menor do que o Fucus vesiculosus.
4) Filo ou Ramo das Cianófitas (Algas Azuis):
As cianófitas ou cianofíceas são também denominadas de cianobactérias, tendo como principal representante de alga medicinal, a Spirulina.
As indicações clínicas da espirulina incluem: Adjuvante no tratamento de anemia ferropriva por ser fonte de ferro e clorofila, atua também nas dislipidemias porque reduz LDL e triglicerídeos, pode ser útil na hipertensão arterial leve pelo efeito vasodilatador, ademais de ser adjuvante no tratamento de diabete mélito tipo 2 e Síndrome metabólica pela melhora da glicemia e HbA1c, tendo utilidade também na esteatose hepática porque reduz a gordura no fígado. Tem também ação anti-histamínica, podendo reduzir a sintomatologia da rinite alérgica e de outras alergias.
Posologia de 100 a 1.000 mg ao dia (conforme orientação médica).
A Spirulina é uma cianobactéria, não uma alga verdadeira, sendo utilizada como suplemento alimentar. É ótima fonte de proteína completa 60-70%, ferro não-heme e pró-vitamina A na forma de beta-caroteno. Contém vitaminas B1 (tiamina) e B2 (riboflavina) além de vitamina E, magnésio, manganês e cobre, ademais de ficocianina, que é um antioxidante. Apresenta pouca vitamina B12, porém a maior parte é pseudo-B12 inativa, não sendo fonte confiável. Tem baixos teores de ômega-3, selênio, zinco e vitamina C. Estudos mostram benefício na hipertensão, dislipidemia, anemia ferropriva, controle glicêmico e síndrome metabólica.
É importante fonte de proteínas, ferro e pró-vitamina A.